Conciliação bancária: o que é e por que fazer
Como funciona a conciliação entre o sistema e o extrato do banco, e a rotina recomendada.
Conciliar é comparar o que o sistema diz que aconteceu com o que o banco diz que aconteceu — e resolver as diferenças. É a única forma de garantir que o financeiro reflete a realidade, e não a versão otimista dela.
A lógica da conciliação
De um lado, os movimentos registrados no sistema: baixas de contas pagas e recebidas, vendas, sangrias depositadas. Do outro, o extrato da conta bancária. A conciliação percorre os dois e casa cada item:
- Batem — movimento conferido, conciliado.
- Está no extrato, não está no sistema — algo aconteceu no banco que ninguém lançou: tarifa bancária, débito automático, um Pix recebido sem venda vinculada.
- Está no sistema, não está no extrato — algo foi dado como pago/recebido mas o dinheiro não se moveu: baixa feita por engano, cheque que não compensou, boleto que o cliente não pagou.
Cada divergência é um lançamento a criar ou uma baixa a corrigir. Ao final, o saldo do sistema e o do banco fecham no mesmo número.
Por que vale o esforço
- Confiança nos relatórios — fluxo de caixa e DRE só valem alguma coisa se os movimentos que os alimentam são reais.
- Pega erro cedo — cobrança duplicada da operadora, tarifa nova, cliente que "jurou que pagou". Com conciliação semanal, você descobre em dias, não em meses.
- Fecha o cerco contra vazamento — dinheiro que sai sem registro aparece na conciliação. Sem ela, some silenciosamente.
No MultiERP, a conciliação fica em Financeiro → Conciliação: você importa o extrato da conta (arquivo OFX ou CSV exportado do banco) e o sistema evita duplicidades na importação e sugere os pareamentos entre extrato e lançamentos — sobrando para você confirmar os casos óbvios e resolver as exceções.
Rotina recomendada
- Escolha uma frequência e cumpra: semanal para a maioria das operações; diária se o volume é alto.
- Concilie uma conta por vez, período fechado (segunda a domingo, por exemplo).
- Resolva as divergências na hora — anotar "para ver depois" é o começo do fim.
- Só avance para a semana seguinte com a anterior 100% conciliada.
Recebimentos por cartão merecem atenção especial: a venda é de hoje, mas o dinheiro cai dias depois, líquido de taxa. Concilie contra o valor líquido na data do crédito, e lance a taxa da operadora como despesa — senão sobra uma diferença crônica entre vendas e extrato.
Quanto menor o intervalo entre conciliações, mais fácil achar qualquer diferença — uma semana de movimentos se revisa em minutos; três meses viram arqueologia.